segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os melhores e os piores da Calabria- Parte 1

Há pouco tempo de ir embora de Reggio Calabria (ainda não sei ao certo quando, mas há um mês que eu venho dizendo às pessoas que vou embora daqui a duas semanas) comecei a pensar em todas as coisas boas e ruins que vi por aqui e resolvi fazer uma lista dos melhores e piores do sul da Itália. Mas como eu falo muito, façamos por partes, ok?
MELHORES (1):
GELATTO (Sorvete italiano)- Pra mim e para a maioria, o número um de Reggio Calabria é o Cesare, que para o meu desconforto total fica a cinco minutos da minha casa... Mas tenho que concordar com minhas portugas que o Sottozero tem o melhor atendente do mundo, que coloca chantilly, cacau e colherinhas de biscoito em cima! A loucura pelos “gelati” aqui no sul da Itália é tão grande, que até quase três da manhã O Sotto e o Cesare estão abertos e super lotados. E pra quem pensa que sorvete é coisa de criancinha, se engana. É mais do que comum ver homenzarrões de negócio, de terno e gravata, fazendo reuniões, ou dando uma paradinha (só das 12:00 às 16:00) para comer o famoso “brioche com gelatto”... Um puta pão com meio quilo de sorvete dentro. Tipo, um X-Salada super extra mega vision plus dos sorvetes. Absurdamente enorme.  Dias desses eu provei, comi tudo e jurei, com uma lágrima escorrendo no cantinho dos olhos, não comer mais nada por um mês. No outro dia peguei só um copinho pequeno (com 3 sabores).
E os top top dos sabores são esses:
*Pistacchio- ok, esse dá pra entender, pistache!
*Settevelli- inspirado numa torta, com SETE tipos diferentes de chocolate, um nojo!!!
*Cioccolato fondente- chocolate puro e bem escuro, incríiivel!
Pausa para a história do fondente: Um dia de domingo saí pra almoçar sozinha, me perdi em Reggio e resolvi pegar um sorvetinho, enquanto me encontrava. A cidade inteira dormia e eu andava sozinha na rua, quando de repente vem uma única viva alma, a quem eu pensei em pedir informações. Ela que falava ao celular, olhou pra mim, bem dentro dos meus olhos e disse: “Signorina, signorina, sei sporca!!! “ Dei uma conferida no visual, no espelhinho de uma carro e o veredito, foi que eu estava com cioccolato fondente até na testa... Não sei como aconteceu, mas certamente se fosse um sorvete branco não apareceria tanto, portanto cuidado com ele, você corre o risco de ser chamado atenção na rua por estar “sporca”!! Depois dessa eu achei o caminho de casa rapidinho.
*Caramelo- Descobri no meio dos três sabores do sorvete da Sofia, dia desses. Sequei o sorvete dela de tanta inveja. Ontem mesmo fui no Sotto e me deliciei com um caramelo, só pra mim!!!
*Stracciatella- o do Cesare é o melhor. É o nosso flocos, mas com super pedaços de chocolate, mhmmm... Que será da minha vida sem o sorvete do Cesare e do Sotto, Dio mio???
PIORES (1)
SUJEIRA NAS RUAS:
Aqui toda a beleza da cidade e todas as coisas boas vão por água a baixo quando nos deparamos com a sujeira nas ruas... Infelizmente a consciência ecológica aqui ainda não pegou. Existem “tanques” nas ruas que servem para jogar o lixo doméstico. De vez em quando no meio da noite passa o caminhão de lixo e o recolhe, isso quando não ficam mais de uma semana sem passar e quando chegam tem que recolher um Monte Everest do lixo. Se alguma coisa cai no chão, eles não recolhem, fica lá pra sempre... Aqui perto mesmo, viraram um desses tanques de lixo numa escada há alguns dias, enquanto o recolhiam. Adivinha onde ficou todo lixo que caiu??... Me enlouquece, ver o povo jogando tudo pela janela do carro, dá vontade de gritar “joga a mãe”!!! Nas calçadas, a mesma coisa, embalagens de picolé, sacolas, cigarros, papeizinhos, panfletos, garrafas, jornal, copinho de sorvete e tudo o que se possa imaginar vai pro chão, mesmo que eles estejam na frente da lixeira, o que eles gostam mesmo é de jogar o lixo no chão! E ao contrário do Brasil, não tem garis, que varrem as ruas, ao menos nunca vi um deles.
O centro da cidade é sujo, mas não tanto, porque ali a noite passa um “caminhãozinho vassoura” que suga a sujeira.
Mas ao mesmo tempo vem surgindo, ao menos por parte dos mercados, uma conscientização em relação às sacolas plásticas. Ou você leva a sua sacola, ou paga 6 centavos, ou mais, por sacola plástica. E elas são biodegradáveis, de um produto novo, que só vi por aqui.
Enfim, nota zero à maioria dos calabreses, que tem a consciência ecológica do século V.
Penso em abrir aqui uma empresa de limpeza das ruas. Ainda fico rica!!!


domingo, 3 de julho de 2011

Entre as culturas tão mais divertidas!!

Eis que na minha primeira festa na Itália, num hotel-castelo cinco*, chamado Altafiumara, encrostado numa pedra, a muuuuuitos metros acima do mar, em Scilla, fui conhecer três portugueses muito maneiros: Sofia, Joana e Jonas! Não nos falamos muito, mas com o tempo fomos trocando algumas palavras em nossos portugueses do Brasil e de Portugal e eu a-d-o-r-e-i os portugueses do Porto!!!
A partir daí, começamos a trabalhar juntos num boteco de vez em quando, ir a praia, em algumas festas e o resultado foi que comprei um caderninho e comecei a anotar as expressões que mais gostei. Alguns dias chegava a pensar que eles não estavam falando, ou não estavam a falar português, ou quem sabe sou eu que falo "brasileiro"... Descobri que Portugal jovem ama o Brasil, suas modelos, suas novelas, a Rede Globo, todos os seus músicos (Itália também ama o Brasil tropical e suas músicas) e tudo isso me deixou muito feliz, pois ao contrário, já tinha ouvido que os portugueses não gostavam de brasileiros. Eu gosto muito dos portugueses, viu tia Fátima!!! Em homenagem aos meus três purtugas + a tia Fátima, lá vai as expressões mais portuguesas que eu já ouvi:
1- Proibido andar de tronco nú: Proibido andar sem camisa
2- Casa de banho: banheiro (parece uma casinha só com um vaso sanitário dentro eheheh)
3- Cheia de fome, de sede, de vontade: com muita fome, sede, vontade
4- Que gira!: Que massa!
5- Estou mortinha que conheças o meu namorado (frase da Joana ahahaha): Estou doida que conheças...
6- Cuecas: Calcinhas (há, ótima!) e cuecas são... cuecas também!
7- Camisola: Camiseta (t-shirt)
8- Geladinho: Picolé
9- Gelado: Sorvete!
10- Mala: Bolsa
11- Palha: Canudo
12- Comboio: Trem (Lilian, perdemos o comboio pra Tropea esta manhã- Ouvi isso umas dez vezes ahaha... também, quem aqui acorda pela manhã, me diz?)
13- Auto Carro: Ônibus
14- Telemovel: Celular
15- Cala-te: Cala boca, nao fala besteira... (ok, por algum motivo n~ao consigo mais usar acentos a partir daqui, portanto n~ao sou analfa, ok?)
16- Sitio: Lugar
17- Fixe: Legal
18- Pirilau: Pinto! ahahah...
19- Mixilhao: ...e isso mesmo que voces estao pensando, eh a mulher do pinto!! Tipo um mexilhaozinho assim, ahahaha...
Portugas, terminem logo esse projeto arquitetonico que eu xtou mortinha por cumpanhias purtuguesas para tomar um geladinho, ou quem sabe andar a casa de banho, ou comer uma pizza, porque xtou sempre cheia de fome e tambem cheia de sede, ok?
Abaixo fotos fixes feitas num sitio chamado Pasha pra provar que eles existem e ainda sao lindos!!!
Ate loguinhu!!!


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Entre as coisas mais românticas que já conheci!!!

Depois de alguns dias sem inspiração, preguiça mental e física, resolvi sair da minha bolha e botar a boca no blog! E como prometi falar dos cadeados apaixonados, honro neste momento minha promessa!!
Logo que cheguei em Reggio Calabria, fui dar uma volta na Via Marina, maravilhosa! Chegando ao centro de tudo, há um pórtico de frente ao mar, ladeado por correntes, apinhadas de cadeados. Fui em busca de uma explicação pra isso e descobri um filme romântico chamado “Tre metri sopra Il cielo”, de Federico Moccia, que foi rodado em Roma. Nesse filme, um casal escreve seus nomes num cadeado, o prendem na ponte e atiram a chave no Rio Tevere, com a intenção de transformar seu amor em amor eterno. De lá pra cá foi uma explosão dos famosos “lucchetti d’amore”. Em todos os lugares que fui, nos pontos mais famosos, os encontrei. Como já diria Maria Joaquina, do Carrossel: “Ai, ai, isso é tão romântico...” Fiquem com algumas fotos e inspirem-se!!








quinta-feira, 9 de junho de 2011

A princesinha e a rainha do mar

Fiquei com saudades do meu país tropical e acordei a cantarolando “Copacabana, princesinha do mar...” De súbito lembrei da primeira vez que fui ao Rio de Janeiro. Primeira e única, há exatamente um ano atrás.
Engraçado como todo o mundo sonha em um dia ir ao Brasil e pensam que o Brasil é só o Rio, ou São Paulo. Talvez por isso essa má impressão do nosso país.
Não que sejam lugares feios, longe disso, Rio e São Paulo são lindos. Mas, como se fala tanto da “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil”, cheguei ao Rio esperando ver uma das cidades mais lindas da minha vida.
Desembarquei no aeroporto, peguei uma van e quando desci, na frente do hotel, em Copacabana, olhei para o meu ex-namorado e disse, decepcionada: Copacabana é isso, mesmo? Menor que Balneário?? Copacabana é bonita sim, pela beleza natural, ao seu redor, ou quase natural, com seu calçadão ondulado, fechado para pedestres em feriados e domingos, ciclovia, avenida imensa, tudo por conta do aterro que sofreu, para que não fosse invadida pelas águas. E lógico, pelo seu Copacabana Palace, que é único.
Mas eu, catarinense de coração, frequentadora de Balneário Camboriú desde sempre, tenho que concordar com meu cantor favorito, Caetano Veloso, que Copacabana é a princesinha do mar.
Se neste momento me pedissem para coroar a rainha do mar, meus queridos cariocas da gema que me perdoem, mas: “...the crown goes to... Balneário Camboriú!!”
Balneário, que não tem toda a fama, nem toda avenida, nem toda a violência e prostituição escancarada que Copacabana tem. Balneário, que tem muito ainda a receber de seus governantes, como um saneamento decente, um aterro em toda praia e uma avenida tão linda quanto à da princesinha. Mas estamos no caminho.
À minha “Rainha do Mar”: Balneário Camboriú- SC- Brasil.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Entre as coisas mais assustadoras que eu já conheci - Parte I

Passadas, eu e a Sandra ficamos, quando desembarcamos na Estação Central de Palermo- Sicília.
Chegamos sem eira nem beira, sem hotel para ficar, com fome, então paramos na sala de Informações Turísticas. Um senhor gordinho, sentado em sua cadeira, gentilmente nos indicou um local para ficarmos,  chamado "Hotel Oriental", que segundo ele era "estranho por fora" mas organizado, limpinho e seguuuuuro por dentro (Ele deu essa entonação fantasmagórica mesmo!). Pedi que explicasse onde ficava. Ele pegou um caneta e um pedaço de papel e nesse momento meus olhos desceram para suas mãos que desenhavam a rota e o que eu vi me deixou confusa. Ele tinha unhas longas, arredondadas, bem feitas, com verniz e tudo o mais. Consigo me lembrar que lentamente fui subindo o olhar, tentando ouvir a explicação - do hotel estranho por fora e bonito por dentro – e no meio do caminho um par de peitos grandes, voltei a descer o olhar pra me certificar se eram peitos de silicone, ou se eram grandes por ele ser gordinho. Sim, ele era gordinho. Olhei no rosto e não pude mais saber se era um senhor ou uma senhora e a explicação com uma voz de titia e os meus pensamentos começaram a se fundir e eu já não entendia mais nada. Foi quando, ao lado dos grandes peitos, vi um crachá com uma foto do seu rosto de sobrancelhas feitas, brilho labial e cabelos grisalhos e semi-longos que dizia: GIUSEPPE. Ele era ele! Saindo da estação, vimos uma cidade antiqüíssima, entramos numa rua cheia de vendedores indianos ambulantes e quando chegamos ao hotel estranho, abriu-se um portão de ferro de uns 5 metros de altura. Lá dentro uma estrutura de um castelo do século VII (isso mesmo, sete- anos 600) que já havia pertencido a um príncipe. Sem restauro, horripilante e fantasmagórico. Pensei seriamente em sair correndo daí, temendo ter caído numa teia de tráfico de órgãos, que começava pela porta de entrada de turistas desavisados (a estação central, com o senhor estranho) e terminava no castelo medieval (com a senhorinha pura, baixinha, magrinha, loirinha, com seus velhos pais dormindo sentados ao sofá da recepção) onde você dormiria tranquilamente e acordaria sem seus rins. Lembrei-me no momento em que subia as escadas macabras e desgastadas pelos séculos, do filme “O Albergue”. Caguei-me! Sandra estava exultante com a  arquitetura e quis ficar. Os quartos eram restaurados, novos e limpinhos (Ponto pro Giuseppe). Liguei a internet, me despedi da minha irmã, dizendo: “Foi bom ter sido sua irmã!” e no outro dia eu acordei. Olhei para o lençol branco e... estava branco! Olhei ao redor e não vi nenhuma banheira de gelo com a Sandra dentro e nem um bilhete escrito “Ligue para a emergência em 30 minutos que roubei seus rins”. Pegamos um ônibus e fomos direto à Catacumba dei Capuccini, ver um monte de mortos embalsamados para comemorarmos nossa sobrevivência!!! Palermo é uma cidade docemente macabra! Mas é incrível e diferentemente linda!! Recomendo a todos que adoram filmes de terror! Fiquem no Hotel Oriental e conheçam o Sr. Giuseppe!!! Lendas vivas de Palermo! Foto dele não pude fazer, mas do Castelo eu fiz!! Entrem agora no meu facebook e vejas as fotos das Catacumbas com ideias interessantes de como morrer!





terça-feira, 24 de maio de 2011

Coisas belas e sujas

Não fique com ciúmes meu Brasil lindo, falo muito da Itália, porque estou aqui neste momento, mas eu prefiro muito mais você, ok? Só pra constar!!
"Sou a favor de aproveitar ao máximo cada momento e destrinchar e saborear cada detalhe dos lugares que não conheço, cada cor, cada pessoa, cada palavra nova, cada objeto, por mais insignificante que pareça, cada detalhe desses, recebo com uma alegria indescritível, algo como uma criança descobrindo o universo da sua casa. Dá vontade de levar um pouco de cada coisa pra casa. Ou de ficar mais e mais até que se esgotem todas as possibilidades de descobrir coisas novas." E uma das coisas que adorei foram as pichações italianas! Românticos até o último fio de cabelo ou de pelo do corpo. Não querem nem saber se é obra de arte, mármore, muro velho, casa da nonna, vão lá e picham (essa é a parte suja) mas picham por uma boa causa, o amor (essa é a parte bela)! E como já diria Djavan, se é por amor Deus perdoa! Então vamos pichaaaaar!!! Saí com minha máquina em punho e não precisei ir muito longe pra achar as declarações de amor mais inflamadas e quentes da Calabria. Não é por nada que a novela Passione, que falava da família do Toto, da Toscana,  se chamou "Passione". E não acaba por aí, o próximo post vai ser dos cadeados apassionati!!! Hoje fiquem com os grafittis! Se não entenderem joguem no google tradutor :o)














sábado, 21 de maio de 2011

Entre os lugares mais lindos que já vi - Parte III

Allora, cosa facciamo? Andiamo a Scilla!!!
Pra quem está em Reggio Calabria, Scilla é uma opção deliciosa e facílima. É só pegar o trem na Estação Central, ou Lido e em 20 minutos você chega em um dos pontos mais bonitos dessa região.
Scilla tem três visuais incríveis:
O primeiro, ao sair do trem se desce uma ruazinha e se depara com um mar Tirreno de um azul profundo, que eu já comentei no post de Tropea, anteriormente. À esquerda a ponta da Sicilia, fitando Scilla constantemente e à direita um tunel, sob uma montanha rochosa coroada com um castelo, ao cantinho da cabeça.
O segundo, depois de atravessar o tunel de Scilla, uma viela com construções que datam de séculos, escolhida como um dos borgos mais lindos da Itália, segundo um instituto de pesquisas italiano. Restaurantes de decks de madeira sobre o mar deixam ainda mais charmosa a rua em tons de antiquário, com os sabores dos queijos, massas, sorvetes e outras delícias italianas. Um tocador de gaita nesse momento cairia perfeitamente...
E o terceiro visual vem lá de cima do Castello Ruffo, que é a vista aérea do local. O Castelo não tem muito a oferecer, a não ser a sua arquitetura restaurada, mas mal sinalizado e sem plaquihas explicativas, nem guias. Não gostei, mas os pouco minutos alí em cima, olhando através do pequenos buracos nos muros e de uma "varanda" bem no penhasco, há mais de 60 metros de altura, caindo diretamente no azul turquesa do mar de Scilla, valeram a pena pela vista deslumbrante. De tirar o fôlego e amolecer as pernas. Eu não queria mais sair de lá, mas tive que dar espaço para os outros turistas (chatos!!! kkkkkk...)
Pra finalizar, um cafezinho com essa vista aqui de baixo, ou um sorvete cremoso! Voltamos à estação, casa, banho e cama, porque não é fácil essa vida de mochileira. No final o que nos resta são as recordações, boas fotos e um par de pernas torneadas de subir e descer ladeira!!
Preparados pra mais um destino fantástico do sul da Itália? Vou procurar nos meus arquivos e em breve compartilho com vocês!! Arrivederci!